Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Construindo Fraternidade

que todos queremos na vida, sem exceção, é amor e reconhecimento. Para isso é necess ário que todos saibam que açúcar não tem sexo, isto é, que qualquer pessoa, de qualquer etnia, idade ou definição sexual, no fundo, quer apenas ser notada, querida, aguardada, ainda que, explicitamente, diga o contrário. Vamos aqui ler alguns textos e verificar como é simples, por mais duras que as pessoas digam ser, tocar com o doce da alma poética, os corações delas.

DISSE O FILÓSOFO...

Vejam o que Platão, sob nova roupagem de Milan Kundera, disse sobre o amor:

“No princípio todos os seres eram hermafroditas, até que Deus os separou em metades, que a partir daí erram pelo mundo e se procuram. O amor é a busca dessa metade perdida de nós mesmos.” Será que qualquer um que se diga humano pode ler isso e, ainda assim, ser indiferente?

DISSE O POETA...

Vamos ler também o maravilhoso texto do poeta Roberto Martins:

“A garota protestante me disse/ que a vida era bela/ e eu disse que mais bela era ela/ ela me disse que Jesus ia voltar/ eu disse que os olhos dela/ eram lindos como os olhos de Jesus/ ela me beijou na boca/ e eu disse:/ - Jesus existe!” É possível não rir da situação, de si mesmo, da forma empírica como o poeta se encontra com Jesus?

Alguém consegue não visualizar a situação e não se lembrar de alguma conquista amorosa sua e não rir em silêncio de saudade e satisfação? O amor parece trilhar um milhão de caminhos difíceis, até que todos descubramos como é simples e brincalhão.

CAMINHO ERRADO

Tenho para mim que essa busca desenfreada pelo sucesso que tomou conta da humanidade no final do século XX e início do XXI, nada mais é do que o reflexo do sentimento de perda, de abandono, de solidão que a vida nos grandes aglomerados urbanos propicia. E mesmo quem vive em pequenas cidades acaba se contaminando pelo contato televisivo, pelo massacre de informações que recebe diariamente pelos meios de comunicação, pelas histórias que ouve, vê ou lê.

Quando falo para meus alunos de transformação de destino, de guinada na vida, de giro de l80.º na roda da fortuna, penso e conto sempre uma das minhas muitas histórias de sábios chineses. Como sempre, digo não saber se o sábio era mesmo chinês, mas gosto de imaginar que todo oriental é um sábio em potencial.

O TESOURO

A história diz que um sábio chinês caminhava por uma montanha e tinha consigo apenas uma sacola de pano com um pequeno pedaço de carne e outro de pão, que mal dariam para o seu sustento aquele dia. Ele parou para beber água numa fonte e encontrou um grande diamante, colocou-o na sua sacola e continuou seu caminho. Logo à frente encontrou um sujeito faminto e caído que lhe pediu ajuda em forma de comida. O sábio dividiu com ele o pouco que tinha. Quando abriu sua sacola o homem viu a pedra e lhe pediu também. Ao contrário de todos nós, o mestre deu-a a ele e partiu.

Alguns minutos depois o homem pobre vem correndo e gritando para que o sábio parasse. Ele então parou e o moço devolveu-lhe a pedra dizendo que o que ele realmente queria do sábio era a bondade que ele trazia no coração e que fez com que ele lhe desse parte de sua comida e também a pedra, porque esse era o verdadeiro tesouro. A história fala por si. Com isso, quero gritar bem alto para todos nós que açúcar não tem sexo e que todos podemos dar e merecemos receber esses grãozinhos de felicidade gratuita tão necessários à nossa vida.

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