Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Celebração

Especial: Encenação de Natal

Natal: a grande esperança!

Música: (à escolha)
Narrador: Boa-noite. Para celebrar
este Natal, vai ser preciso esquecer um pouquinho as bolas
coloridas, os sinos festivos e as poesias.
Desculpem, mas queremos deixar a História falar, a História
da Salvação. E na História da Salvação é Deus quem fala, a partir daquilo que nós apalpamos,
vivemos.
No começo, Deus fez tudo bem. “Depois de criar todas as coisas e entregá-las ao domínio do Homem, Deus contemplou toda a sua obra e viu que tudo era bom” (Gn 1,31). Ora, se tudo no começo
era muito bom, Deus seria injusto se achasse muito bom a pobreza, o sofrimento, a dor e as dificuldades da vida. Se Deus achou tudo muito bom, é porque nada disso Ele queria, nada disso foi criado por Ele. Os Homens, porém, amaram mais as trevas do que a luz.

(Apaga-se a luz. Entra Abraão com uma vela acesa)
Narrador: Parece que vem aí uma pequena luz, uma pessoa...
-Boa-noite, quem é o senhor?
Abraão: Eu sou Abraão. Já sou velho, meu filho, há milhares de anos.Deus me chamou e me mandou mudar, com minha
família, para outra terra,
bem longe daquela onde nasci. Não foi fácil, parecia que tudo dava errado. Mas, no meio de toda essa luta, eu guardei esperança na promessa
de Deus.
Narrador: Abraão, por que o senhor fica olhando o céu tanto tempo?
Abraão: Eu gosto muito de admirar
as estrelas. Elas me lembram a promessa que Deus me fez. Ele disse que de minha família sairia um povo grande, tão numeroso como as estrelas do céu. Desse povo, Deus disse que sairia o Salvador.
Eu tive que mudar o rumo da minha vida e começar tudo de novo. Tenho andado muito por essas estradas. O povo de Deus que tive a honra de iniciar me chama de Pai Abraão, porque
tive fé na promessa de Deus. Escute bem, meu filho, nesta noite, vai se cumprir a promessa.
(Abraão afasta-se e entra Moisés)
Canto: O Povo de Deus
Narrador: Olá, como está? Quem é o Senhor?
Moisés: Hoje eu estou muito contente. Meu nome é Moisés. Sou um descendente de Abraão, um protegido da filha de Faraó, um inconformado com os sofrimentos
do meu povo, um fugitivo e um chamado por Deus. Abraão era bisavô do meu pai.
Narrador: Pelo jeito, você é peão, um camarada que lida com gado.
Moisés: Quase isso: eu era pastor de ovelhas na terra de Madiã, bem longe daqui. É que eu tinha fugido do Egito.
Narrador: Fugiu do Egito? Pelo que me disseram,
o Egito era um país forte e rico, com grandes pirâmides, cheias de riquezas, e de gente muito boa.
Moisés: Mas disseram
apenas uma parte da verdade. O pessoal lá maltratava o nosso
povo: nós éramos trabalhadores e nunca ganhávamos nada. Nóséramos escravos dos governantes.
Narrador: Mas o que houve com a promessa que Deus tinha feito a Abraão? Ele se esqueceu de seu povo?
Moisés: Não, não! Quando estávamos
passando necessidades, Deus me ordenou que conduzisse o seu povo para fora do Egito, para uma terra de fartura, a nossa terra prometida.
Narrador: E você conseguiu tirá-lo da escravidão no Egito?
Moisés: Sim, nós conseguimos. O governo daquela época mandou sua polícia atrás de nós, mas Deus sempre nos ajudou e a nossa fé nunca se abalou. Foi difícil, uma viagem de quarenta anos no deserto:
muita areia, muita poeira e pouca água. Mas Deus nunca nos desamparou, mesmo quando mais precisávamos dele. E foi dessa forma que Ele fez conosco esta aliança. Certa
vez Deus nos disse claramente: “EU SEREI
O VOSSO DEUS E VÓS SEREIS O MEU POVO”.
Narrador: Como vocês conseguiram
chegar à terra da fartura?
Moisés: Com a ajuda de Deus. E é por isso que eu vim hoje aqui, para dar testemunho de todos esses fatos. Esta noite é uma noite de vida: hoje vai nascer Aquele que vai nos guiar para aterra da fartura onde rema o amor e a paz.
(Moisés afasta-se)
Narrador: Mas depois de tudo isso, o povo foi se esquecendo
dos sofrimentos passados e se deixou levar pelos falsos deuses que propunham
uma vida alienada, afastada da realidade,
vida de luxo e prazer. Hoje caímos em tanta injustiça e opressão, que precisamos fazer
uma nova caminhada.
O povo estava precisando de um bom animador,
alguém que saísse do povo pobre, um rapaz inteligente e trabalhador.
Canto: Vai Moisés/ Liberta o meu povo/ vá você também/
e construa um mundo novo (bis).
Narrador: Aí vem um homem importante. Quem é o Senhor? Está bem vestido, por acaso o senhor é um príncipe?
Davi: Não, não sou príncipe, eu sou rei. Sou o Rei Davi. Mas, acima de mim está um rei, que é o Rei dos Reis, que é da minha descendência.
É o Rei Salvador. É a Ele que nesta noite eu vim adorar.
Narrador: O senhor foi Rei... qual era o seu reino, e como foi o seu governo?
Davi: Eu fui rei de Israel. Eu governei em nome de Deus e procurei ser justo e honesto, para serviro meu povo. Eu também tive meus momentos de fraqueza, quando a comodidade
e os prazeres da terra me atingiram. Mas nem mesmo assim Deus me desamparou e eu me corrigi. Governei Israel por quarenta
anos. Fui um homem temente a Deus e procurei seguir todos os seus pedidos da melhor maneira possível.
(apagam-se as luzes. Davi coloca-se junto a Abraão e Moisés)
Isaías: “Por isso o próprio Senhor vos dará um sinal: Que a Virgem conceba
e dê à luz um filho e o chame de Emanuel” ( Is 7, 14)
Narrador: o senhor é profeta, não é? É um daqueles que Deus mandava ao povo para falar, explicando os acontecimento, apontando
os erros e anunciando a esperança?
Isaías: É isso mesmo. Saiba que isto me custou muita perseguição.
Seria bem mais fácil se tudo fosse correto na sociedade. Meu amigo, eu sou o profeta Isaías e, nesta noite, vim confirmar a vinda do Salvador.
(Isaías junta-se aos outros)
Narrador: Antes de Jesus nascer, Deus mandou um homem para dizer ao mundo que Jesus estava
para nascer e que todos nós devíamos nos preparar.
João Batista: “Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia
das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele tem a pá na mão e limpará
a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível” (Lc 3, 16-17).
Narrador: Você não sabe, João, o povo anda tão alienado! O próprio Natal virou comércio. Pobre Menino Deus! Já são poucos
os que vão à gruta, os próprios cristãos preferem ir aos estádios de futebol, nos motéis, jogar na loteca ou beber nos bares... Enquanto os grandes estão “podres de rico”, os pobres são oprimidos, marginalizados.
João Batista: Infelizmente é isso mesmo, minha gente! Mas vocês já sabem da grande notícia. Ele está chegando. Ele irá construir um novo Reino.
(Vai para junto dos outros. Maria e José entram)
Narrador: Boa-noite, gente boa. Parece que andaram
muito, não? Vocês vêm de longe?
José: A gente vem lá de Nazaré, e com muita preocupação,
meu senhor. Minha mulher vai dar à luz esta noite. É época de muito movimento por causa do recenseamento, teremos que ser contados
por ordem do governo.
Narrador: Quem são vocês?
José: Sou José, e minha esposa é Maria. Somos descendentes de Davi e temos que dar os nomes aqui em Belém, para cumprir a ordem do r Imperador.
E agora nós vamos procurar um lugar para o nosso filho nascer.
(Os dois saem e vão bater na porta da sacristia, depois na outra porta, do outro lado. Voltam para o centro da Igreja).
Maria: Já andamos muito e não encontramos
onde ficar. Será que aqui, nas comunidades
desta região, tem um lugarzinho para nós?
Narrador: Naquele tempo não houve lugar para eles na hospedaria, lá em Belém. Mariadeu à luz seu Filho, envolveu-
o com faixas e o deitou
numa manjedoura.
(Prepara o nascimento de Jesus)
Narrador: Os pastores de Belém foram os primeiros a saber do nascimento de Jesus. Eram gente
humilde, analfabetos, não sabiam
rezar direito, mas foram os primeiros a repetir com os anjos a mensagem de Deus: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” .
Música: (Aleluia de Haendel ou outro)
Anjo: “Não tenham medo. Eis que vos anunciamos uma grande alegria,
que será para todo o povo. Nasceu-vos hoje o Salvador que é o Cristo o Senhor isto vos servirá de Sinal: encontrareis um recém-nascido
envolto em faixas e deitado numa manjedoura”.
Narrador: E de repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército
celeste e começaram a louvar a Deus cantando:
Música:
1° Pastor: Eis aqui o menino, o Menino-Deus.
2° Pastor: É o Salvador do mundo.
3° Pastor: Bendito o que vem em nome do Senhor.
Maria: (com o menino nos braços) Ainda hoje, meus filhos, esse Jesus,
que nasceu em Belém, está vivo entre vocês e Ele diz: “Não tenham medo, eu venci o mundo.”
Narrador: E nós cremos nele e anunciamos como os anjos: “Eis que anunciamos uma grande alegria: O Salvador
nasce hoje nesta comunidade.”
José: Meus irmãos, os pastores de hoje são os pobres, os operários,
os bóias-frias, as lavadeiras, as domésticas, os desempregados, os oprimidos, os injustiçados, que continuam esperando a promessa de Deus.
Narrador: A gruta é sua casa, sua rua, seu bairro, sua comunidade.
Jesus Cristo sempre nasce onde os homens se unem, onde o pão é repartido, onde todos lutam unidos.
Feliz Natal para todos os que lutam por um mundo cristão, pelo bem comum, por uma sociedade justa e fraterna.
Canto: Noite Feliz.
(Os personagens vão para o meio do povo e todos, de mãos dadas, cantam Noite Feliz).

A Noite se iluminou

Jesus é a luz do mundo. Não pode haver
indiferença quando a noite se ilumina com o nascimento do Salvador. Ele é o sol irradiante e sem ocaso. É preciso olhar bem fundo no rosto de Jesus através dos quatro evangelhos. Sua luz ilumina nossa mente, nossos afetos, nossa vontade, nossa vida. Deus saiu de sua luz inacessível e veio para as trevas humanas. Para Ele, as trevas são luz. Nele tudo se pode ver. Dissipam-se as cegueiras.
Na luz de Jesus vemos a humanidade de Deus. Grande coisa deve ser a criatura humana para que Deus quisesse ser uma delas. Sim, Deus nutre uma grande simpatia pelo ser humano. Melhor ainda, o humano o fascina. A partir do Natal, Deus é encontrado
na carne, nos amores humanos, nas experiências humanas. Cristo revela o ser humano ao próprio ser humano. No presépio está o amor humanitário de Deus. Ali podemos
contemplar a humanidade de Deus. Natal é o mistério da humanização de Deus e divinização do ser humano. Eis a simpatia de Deus pela humanidade, o humanismo de Deus. Jesus é a luz do mundo.
Diante da ternura do presépio, cale-se a violência, diante da candura do menino, cale-se a corrupção. O criador se fez criatura;
o espírito se fez carne; o poderoso se fez criança; o divino se fez humano; o senhor se fez escravo; o onipotente se fez frágil. Emudece
a razão, fala o coração. Deus abdicou de sua onipotência e assumiu a fragilidade. Do nada Ele nos criou e em nossa fraqueza Ele manifesta sua grandeza. Natal é Deus dizendo
a você: Eu te amo. O amor se extravasa,
se comunica, se confraterniza. Natal é a recuperação da alegria de viver. As pessoas se tornam afáveis, benévolas, suaves, sinceras,
amorosas. Natal faz de cada pessoa um próximo e de cada próximo, um irmão. Quem está na luz ama o irmão.
Que a festa do Natal seja uma festa da luz, uma iluminação da vida e não uma apelação para o bolso, uma profanação do mistério, uma voracidade consumista, um feriadão qualquer. O que mesmo nos enriquece
é a jovialidade, a pobreza e a humanidade
de Jesus. Este é o presente de Natal: Deus deu-se a si mesmo. Celebramos a chegada do maior amigo, a benevolência do coração de Deus. A luz veio ao mundo, mas as pessoas preferiram as trevas. Quem crê em Jesus, não tropeça, está na luz, encontrou
a luz da verdade, do bem, do amor. Ele abriu nossos olhos, em sua luz vemos a luz, dissiparam-se as trevas e foram curadas as cegueiras. Cabe-nos caminhar com os olhos fixos em Jesus.
Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina - PR

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